Quando voltei ao Brasil meus amigos sugeriram que eu deveria criar um blog...
Um blog?!?!?! Eu???????....




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Bom programa para o final de semana!

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I Feira de Negócios e Inovação da UnB

Este final de semana tive o imenso prazer de participar da I Feira de Negócios e Inovação daUnB convidado pela professora Marina Figueredo. 

Para vocês terem uma idéia de como foi divertido, o evento estava programado para durar 02 horas edurou quase 5 horas. Foram 18 stands com trabalhos dos alunos das disciplinas de criação de negócios e inovação da UnB.

Tenho que admitir que fiquei muito impressionado com o que vi. Como todas as feiras têm alguns stands que chamam mais atenção que outros, mas o nível estava realmente elevado e tinham inovações e negócios para todos os gostos : Bar com chopeira na mesa para que o cliente possa se servir, delivery de comida natural, padaria com drive through, pet shop com hotel e treinamento, curso de beleza online para as mulheres maravilhas de hoje que trabalha, cuidam da casa e ainda tem tempo para pensar em si,entre tantos outros. Tinham também negócios que já estavam funcionando… é, os alunos da UnB não estão de brincadeira. Site para eventos já no ar, loja de colchões focando em inovação de serviços e até um crowd sourcing voltado para modelos mais fashion e não apenas camisetas de malhas.

Tenho que comentar aqui, 02 negócios que achei muito legais:

O primeiro foi um modelo herbal life para agência de viagens. O grupo propós transformar todos os membros da família em agentes de viagem e assim repassar parteda comissão para o que organizou tudo. Idéia super interessante e bem viável segundo um dos integrantes que já trabalha no setor.

O outro é um site para crowd sourcing de serviços. A idéia é que todos possam indicar e buscar por serviços online. O mais legal foi a forma como eles mostrar a necessidade do serviço. Colocaram um 03 pregos em uma madeiras e pediram para os avaliadores enfiarmos o prego com três batidas. Olhando de fora parece fácil, não é? A verdade é quenão conseguimos nem mover a P**** do prego e assim eles soltaram a máxima “viu, a gente sempre acha que consegue resolver tudo, mas as vezes precisamos de umamãozinha”. Muito legal e criativa a forma de vender o produto!

http://reviewshardware.com/wp-content/uploads/2011/08/Hammer-Nail.jpg

Adorei a experiência, aprendi bastante e passei um sábado super agradável. Espero termais oportunidades como esta.

fotos: http://reviewshardware.com/wp-content/uploads/2011/08/Hammer-Nail.jpg

Míopia do Empreendedor Brasileiro

Essa semana, enquanto várias pessoas continuam me dizendo que não há grandes oportunidades por aqui, mais uma empresa vinda de fora conseguiu aporte de capital para expansão dos seus negócios no País. http://bit.ly/sqq2If

Não me entendam mal, acho que os investimentos no Brasil são mais do que bem vindos, geram emprego, pagam impostos, trazem inovação.  Apenas acho que está na hora de fazer logo a cirurgia para curarmos a míopia, dominarmos o mercado nacional com empreededores made in Brazil e, melhor ainda, começar a invadir a praia deles ao invés de esperarmos os caras aportarem por aqui.

créditos:

Greenpeace: Flickr FranciscoCesar’s

Foto montagem:

crédito do míope plagiado http://bit.ly/rZgx6u

Mapa from google Eart

Don’t Scale to Scale!

Essa semana eu li um artigo super legal - daqueles que fala o contrário do que você costumar fazer e que faz você se sentir um meio zonzo depois de um tempo…                                           

Uma das grandes questões para toda startup é como ganhar escala. Ou seja, como sair daquele pequeno grupo de early adopters (amigos, família, professores, technology savvy, evangelists, etc) e chegar ao mainstream market. Como deixar de ser um produto pequeno de nicho, que poucos conhecem, para ser usado por uma grande maioria. Afinal, conseguir uma pequena tração para uma novidade não é lá tão difícil hoje em dia, com tanta rede social e a facilidade dos botões “curtir”, “+1” e “share”. Mas, ultrapassar esta barreira e começar a ver o famoso gráfico hokey stick pode ser uma dureza.

Scalability ou Escalabilidade (não sei se existe esta palavra em português, mas aí vai anyway) é importante por alguns motivos, mas principalmente para saber se o produto ou serviço conseguiria realmente crescer sem grandes investimentos ou retrabalhos (afinal, investimento e trabalho sempre serão necessários). Por exemplo, se você tem uma padaria em São Paulo e quer abrir uma outra em Porto Alegre, diria que você não vai ter muita escalabilidadejá que tem que buscar um novo endereço, funcionários, fornecedores, etc. Já uma empresa que faz álbuns de fotos pela internet, por outro lado, irá conseguir atender mais de uma cidade, sem precisar de tanto investimento ou trabalho, pois pode manter onde quiser seus funcionários, sede e quem sabe até fornecedores. 
Outros fatores que me vêem a cabeça quando se fala em scalability são:
  1. A necessidade de estar preparado para atender todas as demandas. Imagina que você só consegue produzir 50 produtos por mês, mas sabe que vai ter uma demanda de 500 produtos? 
  2. A possibilidade da empresa de reduzir o custo fixo por produto, , aumentando a margem por transação. É a famosa lógica do vendedor de picolé, “um é R$ 5 e três é R$ 10”.

Por ser importante, startups normalmente buscam, desde o primeiro dia, automatizar ao máximo suas tarefas principais, para que tenham o mínimo re-trabalho no futuro. Eu, por exemplo, odeio ter que refazer algo. Quando crio uma planilha do excel, tento deixá-la, de primeira, o mais escalável (eu sei, tô forçando no verbopossível para que nas próximas vezes eu gaste o menor tempo naquela tarefa.
 
O artigo que li http://bit.ly/uydlOv é de um cara chamado Joel Gascoigne que já tem algumas startups no CV. O Joel defende que para startups crescerem,e talvez chegarem até no famoso Chasm de G. Moore, elas não deveriam, inicialmente, se preocupar com escalabilidade. E o pior (ou melhor), seguindo a nova filosofía Lean Startup de E. Ries e a teoria  de customer development de Steve Blank, é que ele parece ter razão.
O ponto defendido pelo Joel é que os fundadores, no início da jornada de uma startup,  devem focar em garantir que exista um mercado para seu  produto, antes mesmo de desenvolvê-lo, da mesma forma como Blank defende em seu livro The Four Steps to Epiphany (livro beeem difícil de ler, digamos até chato, mas super importante). Segundo eles, de que adianta deixar o produto redondo, todo pronto para ser comprado, se ninguém o quiser? De que adianta para um empreededor, no início, ocupar suas preciosas horas como automação e escalabilidade se talvez que o produto nem chegue a mil clientes?

Joel dá o exemplo da sua mais recente startup, chamada Buffer App (um aplicativo que deixa você jogar os seus twits em um servidor e ele vai disparando eles ao longo do dia). Esta empresa tem vários exemplos de como validar a idéia antes de virar noites programando. Aliás, o primeiro exemplo de MVP (Minimum Viable Product) que ouvi falar foi da Buffer App. Antes de criar o aplicativo,  Joel criou uma landing page simples que explicava o conceito e tinha apenas um botão para “planos e pagamento”. Quando o usuário clicava era levado a uma página que dava uma explicação que o produto estava sendo desenvolvido e solicitava que o usuário deixasse o e-mail se tivesse interessado. Logo depois Joel fez o mesmo teste, mas agora com 03 planos de pagamento. Quando o usuário escolhia um deles, a mesma página explicando que o produto estava sendo desenvolvido aparecia. Com estes pequenos testes e 0% de programação (ou escalabilidade), Joel conseguiu constatar que a idéia parecia ter tração. Ele conta ainda, no post, que mais para frente, depois de criar o aplicativo e colocá-lo a venda, resolveu fazer a deixar a parte do pagamento manual, via troca de e-mails e paypal. Ele diz que linkar o site com cartões de crédito levaria um tempo e que ele não o faria até que realmente fosse necessário. 

Lembro que no livro The Lean Startup (esse bem mais fácil de ler, super recente e também recomendado), Ries dá um exemplo de uma empresa chamada Aardvark, criada por Max Ventilla and Damon Horowitz,  que queria oferecer um sistema que responderia qualquer pergunta do usuário, mesmo que subjetiva (acho que um precursor do SIRI). Ao invés de criar a tecnologia necessária, os fundadores resolveram colocar uma pessoa buscando em tempo real no google as respostas para as perguntas (eles chamaram isso de técnica “O Mágico de Oz”). De novo, antes de se preocupar em como a tecnologia iria funcionar no logo prazo, os fundadores queriam saber se haveria demanda para o serviço deles. Mais tarde, a Aardvark foi adquirida por U$50 Milhões pelo Google.

Acho que a grande sacada é aprender que produtividade, no caso de early stage startups, é conseguir passar para a próxima etapa e não optimização para o futuro, ainda incerto. Enfim, eu que adoro organizar as coisas no presente para que no futuro tudo seja mais fácil, vou rever meus princípios e usar a máxima “first things first” daqui em diante. Assim espero ganhar tempo e focar naquilo que é importante.
photo 1 credit Leloft1911